3 de outubro de 2009

A Arquitetura da cidade, Rio de Janeiro com os Jogos Olimpicos

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A arquitetura da cidade, a transformação de ruas, avenidas , o rejuvenecimento de uma cidade acontecerá com os benefícios dos jogos Olimpicos, os investimentos nos espaços públicos e a alma revigorada da cidade. A transformação de Barcelona foi fundamental para alavancar a própria cidade e isto acontecerá aqui no Rio de Janeiro.

As cidades são locais fantasticamente dinâmicos, as ruas não são locais ruins, pois segundo Le Corbusier, a cidade não era apenas um ambiente físico, projetava também a utopia social, que segundo ele, era uma condição do que ele chamava de liberdade individual máxima, mas não a liberdade de se fazer o que quer, mas à liberdade em relação à responsabilidade cotidiana.

A revolução que pode propiciar a uma cidade os jogos Olímpicos e sem dúvida alguma o legado que a cidade e seus moradores receberão em troca da hospitalidade e do receptivo aos atletas, dirigentes e os torcedores que certamente povoarão as ruas , bares shoppings e deixarão seu dinheiro no comércio local , são marcas que certamente se espalharão por muitas décadas ao Rio de Janeiro, além do experimento da alma do "carioca" revitalizar , reinventar e se redescobrir nessa cidade que é também uma melting pot de brasileiros e estrangeiros.

BARCELONA , o exemplo:

"Barcelona Olímpica A proclamação da cidade de Barcelona como sede dos Jogos Olímpicos de 1992, acontecimento histórico para Barcelona, significou uma profunda renovação. Barcelona soube muito bem organizar os Jogos Olímpicos e se deu a conhecer como cidade acolhedora e aberta. O espírito deste grande acontecimento esportivo une a perfeição à tradicional hospitalidade desta cidade mediterrânea. A origem da candidatura dos XXV Juegos Olímpicos da era moderna, celebrados em Barcelona, teve lugar em Janeiro de 1981, com o anúncio feito pelo prefeito da codade Narcís Serra, ao presidente do Comitê Olímpico Internacional, Joan Antoni Samaranch. Barcelona 2000 à atualidade Barcelona do ano 2000, cidade herdeira dos Jogos de 92, cidade transformada para receber dignamente este acontecimiento internacional, durante o qual o esforço realizado para levar a cabo essa transformação permitiram superar limitações existentes de épocas anteriores e significaram a obtenção de melhoras quantitativas e qualitativas em seus serviços e em seu entorno. A Barcelona que agora podemos ver e da qual podemos desfrutar é uma nova Barcelona, mediterrânea segundo sua tradição, que vive de frente pro mar e é totalmente aberta a outras culturas e povos, que dá e recebe, que se faz rica e enriquece. Mas a Barcelona de 2000, em sua transformação, não perdeu os vínculos com sua história, na qual muitos séculos de diversidades culturais formaram a base firme para que as inovações da modernidade dessem luz a uma cidade única e com personalidade própria."

A ESCOLA DE CHICAGO ( SOCIOLOGIA E URBANISMO )

A Escola de Chicago: o nascimento da Ecologia Urbana A Escola de Chicago inaugura uma reflexão inédita ao tomar a cidade como seu objeto privilegiado de investigação, tratando-a como variável isolada, o que em si não constituiria um mérito, mas o que renderia à Escola os créditos da criação da Sociologia Urbana como disciplina especializada. A validade dessa reverência é discutível. Para Castells, essa sociologia que advoga a idéia da existência de um urbano per se, não é uma ciência, e sim uma ideologia. Essa crítica, mesmo procedente, não invalida a importância dessa abordagem que se orienta pelos conceitos da ecologia humana. A teoria de Robert Park, ilustre representante da Escola, sobre a ecologia humana e as áreas naturais pressupõe uma analogia entre o mundo vegetal e animal, de um lado, e o mundo dos homens, de outro. Utiliza os conceitos de competição, processo de dominação e processo de sucessão, para explicar tal similaridade. A cidade é apreendida por meio de um referencial de análise analógico que tem por base a ecologia animal, daí identificar a Escola de Chicago como Escola Ecológica. Louis Wirth, outro autor de destaque da Escola, afirma que a cidade produz uma cultura urbana que transcende os limites espaciais da cidade, afirmação totalmente inovadora. A cidade atua e se desdobra para além de seus limites físicos, através da propagação do estilo de vida urbano, e torna-se o locus do surgimento do urbanismo como modo de vida. O empirismo que marca a abordagem da Escola - que transforma a cidade de Chicago em um "laboratório social"- resulta do interesse de buscar soluções concretas para uma cidade caótica marcada por intenso processo de industrialização e de urbanização, que ocorre na virada do século XIX para o XX. Seu crescimento demográfico espantoso, seu imenso contigente imigratório, seus guetos de diferentes nacionalidades geradores de segregação urbana, sua concentração populacional excessiva e suas condições de vida e de infra-estrutura precaríssimas, favorecem a formulação pela Escola da idéia da cidade como problema, que dificulta a articulação de um pensamento com maior grau de abstração acerca da cidade. A sociologia francesa: o urbano capitalista Para os sociólogos franceses (bem como para os norte-americanos fundadores da eloqüentemente intitulada "new urban sociology", C. Wright Mills e Floyd Hunter, para citar apenas os mais influentes), o urbano deveria ser compreendido como espaço socialmente produzido, assumindo diferentes configurações de acordo com os vários modos de organização socioeconômica e de controle político em que está inserido. Ganha importância a interação entre as relações de produção, consumo, troca e poder que se manifesta no ambiente urbano. Esse enfoque expressa o descontentamento dos neomarxistas franceses com a idéia defendida pela Escola de Chicago de que haveria um urbano per se, a partir do qual era possível explicar toda uma série de fenômenos sociais (Valladares e Freire-Medeiros, 2001). Assim, no final da década de 1960, Castells, Lojkine, Ledrut e Lefebvre propõem novos marcos para a renovação da reflexão sobre a cidade. Com tal enfoque, politiza-se a questão urbana e surgem novas questões: os movimentos sociais urbanos, os meios de consumo coletivo, a estruturação social do território na sociedade capitalista e o papel do Estado na urbanização (Gonçalves, 1989, p. 71). Lojkine (1981) discute a questão do Estado na sociedade de capitalismo avançado, com base na hipótese de que a urbanização, como uma forma desenvolvida da divisão social do trabalho, é um dos maiores determinantes do Estado do Bem-estar Social. Analisa o papel do Estado na urbanização capitalista, a relação da política urbana e suas dimensões com a luta de classes e a questão dos movimentos sociais urbanos diante do Estado. Henri Lefebvre, outro expoente dessa vertente francesa, traz um novo enfoque sobre a cidade, concebendo-a como o reino da liberdade e do novo urbanismo. Mesmo reverenciado como um dos maiores teóricos do marxismo contemporâneo, Lefebvre tem suas últimas obras criticadas, no campo da discussão urbana, tanto por Castells (1977) quanto por Ledrut (1976). Argumentam que o autor expulsa o marxismo do campo das lutas de classe para o da "cultura", formulando assim uma concepção ideológica do urbano. Pode-se, em defesa de Lefebvre, dizer que na sua ótica o urbano não representa apenas a transformação, pelo capitalismo, do espaço em uma mercadoria, mas também a arena potencial do cotidiano vivido como jogo, como festa (1970). Considera simplista "a concepção que coloca, de um lado, a empresa e a produção e, de outro, a cidade e o consumo", o que não permite desvendar a verdadeira dimensão do espaço (1990), numa clara alusão às críticas de Castells e Ledrut. A cidade na visão latino-americana A década de 1960 inaugura também a reflexão latino-americana sobre urbanização e desenvolvimento em "países periféricos". Aníbal Quijano, José Nun, entre outros, elegem a teoria da marginalidade e da pobreza como seu principal foco de atenção. Esse paradigma, que sempre fornece explicações veladamente funcionalistas à desigualdade socioeconômica, será por isso criticado por estudiosos urbanos brasileiros. Sociologia urbana no Brasil Enquanto nos Estados Unidos e na Europa, a década de 1960 inaugura um confronto entre uma sociologia urbana de cunho ecológico e uma "nova sociologia" preocupada com o urbano de forma mais abrangente, no Brasil, essa mesma década marca o próprio surgimento da sociologia urbana como disciplina especializada. Apesar de esforços isolados de pesquisa e reflexão sobre pequenas comunidades urbanas desde fins dos anos 1940 (inspirados, sobretudo, por antropólogos americanos como Donald Pierson e Charles Wagley), a sociologia brasileira só aparece de fato e de direito, como uma "ciência do urbano", com a publicação, em 1968, do livro Desenvolvimento e Mudança Social: formação da sociedade urbano-industrial no Brasil, de J. B. Lopes, a primeira grande tentativa de reflexão sociológica sobre a relação entre desenvolvimento industrial, falência do modelo patrimonial e urbanização (Valladares e Freire Medeiros, 2001). O trabalho de Lopes, bem como os estudos latino-americanos, motivaram os sociólogos brasileiros da década de 1960, que, entretanto, rejeitaram criticamente o paradigma da marginalidade. Pesquisas pioneiras, como as de Francisco Oliveira, de Paul Singer, de Maria Célia Paoli, de Manoel Tostes Berlink, demonstram que a marginalidade resulta não de um problema de integração social, mas de uma questão estrutural: a preservação da pobreza ocorre através de mecanismos institucionais que nada têm de "marginais" ao sistema. Instala-se, então, uma ruptura com as concepções anteriores sobre migração e marginalidade e se traz à tona o papel desempenhado por formas não-capitalistas de produção na acumulação do capital. Como resultado, as noções de "espoliação urbana" (Kowarick, 1979) e de "periferização" orientam novas pesquisas. Ganha destaque a dimensão política da urbanização e proliferam os estudos sobre a dupla espoliação sofrida pelas classes populares: como força de trabalho subjugada pelo capital e como cidadãos submetidos à lógica da expansão metropolitana que lhes negava o acesso aos bens de consumo coletivos (Valladares e Freire, 2001). Quanto aos clássicos da Sociologia, foi o pensamento de Marx que mais influenciou a produção sobre a cidade, quer por meio da sociologia urbana francesa, quer na visão crítica da teoria da marginalidade. No que se refere à Escola de Chicago, sabe-se que ela exerceu grande influência entre os pensadores brasileiros. Sua herança foi marcante, seja fundando, curiosamente, os estudos de comunidade próprios da Sociologia Rural, que têm na obra de Antonio Candido Parceiros do Rio Bonito (1964) seu exemplo emblemático, seja na Antropologia Urbana que até hoje trabalha com os métodos e alguns conceitos da Escola de Chicago, como por exemplo a noção de "zona moral" de Park. Por sua vez, os preceitos da sociologia urbana francesa marcaram os anos 1980 como pano de fundo teórico e como início dos estudos sobre as contradições urbanas, sobretudo o estudo da grande novidade temática da década: os movimentos sociais urbanos. Hoje os estudiosos urbanos continuam importando paradigmas, mas permanece o empenho de investigar e de explicar as particularidades da realidade urbana brasileira. A temática da globalização, por exemplo, está presente nos estudos sobre as metrópoles brasileiras. A discussão sobre dual city, uma cidade de estrutura social polarizada, dual, em que o espaço dos ricos contrapõe-se ao dos pobres, resultante da globalização das economias urbanas, não deixa de motivar os pesquisadores urbanos, mas há uma preocupação com os limites da aplicabilidade de tal noção. O que se nota como peculiar à reflexão contemporânea sobre a cidade é que ela se torna cada vez mais ampla e multidisciplinar incrementando o leque temático da Sociologia Urbana.

TEXTO: A cidade como objeto de estudo: diferentes olhares sobre o urbano Maria Josefina Gabriel Sant'Anna

ARQUITETURA EM SÃO PAULO

Em 10 de novembro, um pedaço de 30 metros de calçada, na esquina entre a Avenida Brasil e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins, zona sul da capital, será trocado por piso 80% drenante, de cimento mesclado com faixas de grama, blocos cinzas e vermelhos, além de faixas táteis para deficientes visuais. O trecho do novo piso - pequeno, se comparado aos 2 mil metros da via - simboliza um projeto ambicioso, com orçamento total de R$ 60 milhões. Trata-se do lançamento do plano de requalificação urbana da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, projeto que pretende, até 2014, transformar a via em referência mundial no segmento da decoração de alto luxo.A iniciativa é de 80 comerciantes da rua, que contrataram equipe de 18 arquitetos, engenheiros e designers para elaborar o projeto. O plano prevê melhorias no mobiliário urbano, jardins, iluminação, estacionamento e sinalização da via. Todos os fios - de luz, telefone, internet e TV a cabo - serão enterrados, segundo prevê o projeto. Todos os 2 mil m de calçada terão faixas táteis para deficientes visuais e serão acessíveis, além de terem piso permeável. Outro elemento inovador previsto é a instalação de vitrines com espaço expositivo "tridimensional", instaladas nos jardins em frente às lojas."A rua será completamente transformada. Com calçadas largas, bem iluminadas, atrativos em frente à lojas, bancos e árvores, a via voltará a ter grande circulação. É esse o sentido de melhoria urbanística", disse o arquiteto Bruno Padovano, coordenador da equipe que elaborou a proposta. A meta de atrair mais pedestres é tão nobre quanto árdua: os próprios comerciantes brincam que há mais seguranças de lojas que pessoas andando pelas calçadas da Gabriel Monteiro.Desde agosto, os representantes das maiores empresas de móveis e decoração do País movimentam-se para firmar convênio com a Prefeitura - já apresentaram o plano à Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e à Secretaria de Desenvolvimento Urbano da capital. "Todo projeto que pretenda enterrar cabos e criar calçadas permeáveis na cidade recebe imediatamente a simpatia da administração", disse a diretora de projetos da Emurb, Regina Monteiro. "Isso porque empresários geralmente propõem o oposto, com calçadas cimentadas e sem pensar na melhoria da paisagem urbana."O plano também prevê instalação de iluminação vertical, com postes voltados para baixo e focos de luz instalados no piso. Bancos nas calçadas, lixeiras para coleta seletiva e instalação de elementos representativos da identidade visual da via - será a sigla AG (de Alameda Gabriel) - são outras melhorias propostas. A cada dez metros, segundo o projeto, serão plantados exemplares de Pau-Ferro, árvore muito presente nos Jardins, escolhida por representar a área. "A ideia é começar as mudanças no ano que vem, para tudo ficar pronto até 2014", disse o vice-presidente da Associação Alameda Gabriel, Marcel Rivkind, dono da marca Breton. "Já começou a circular a informação. Não vai faltar apoio." A inspiração maior para a elaboração do projeto, diz o empresário, veio da Rua Oscar Freire, reformada em 2006; numa segunda fase, os lojistas pretendem construir quatro estacionamentos verticais, em prédios de três andares acima e três no subsolo, com capacidade para mil vagas. "Isso eliminaria o estacionamento em frente às lojas e abriria espaço aos pedestres. Vamos pleitear mudanças no zoneamento, para obter maior espaço construtivo", disse Rivkind. "Os desafios não são poucos, mas há gente boa envolvida que vai fazer acontecer."

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