16 de novembro de 2009

Loucademia de Polícia, população avisa, mas eles erram

Avaliação na Gestão das informações; como são processadas as informações, será que é da mesma maneira como telefone sem fio? A forma como são retransmitidas as informações pelo 190 emergência, não é razoável a avaliação imprecisa
Muros altos e 16 câmeras de segurança espalhadas em pontos estratégicos. A casa, no Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, é super protegida. No trabalho, a cerca de 10 quilômetros, o dono, um advogado, consegue acompanhar, em tempo real, tudo o que acontece ali. O investimento de R$ 30 mil foi para tranquilizar a família. A filha dele já foi vítima de sequestro-relâmpago. "Você fez tudo aquilo que o cidadão não precisaria fazer mas fez", diz o dono da casa Carlos Ergas. No dia 6 de novembro, tudo parecia normal até surgirem imagens na tela do computador. A empregada está lavando a calçada. De repente, um carro estaciona do outro lado da rua. A empregada, que trabalha há três meses para a famí¬lia, já terminou o serviço, quando dois homens saem do veí¬culo e anunciam o assalto. "Ia passando um rapaz e eu falei alto na esperança de o moço escutar: se isso for um assalto, é melhor ir embora porque o meu patrão está vendo tudo o que está acontecendo. Ele falou pra mim: ‘cala a boca, vagabunda’", conta a empregada. A empregada e três assaltantes entram na casa. Na sequência, o homem que passava na rua e ouviu o que a empregada disse liga para o 190. Atendente - Polícia Militar, emergência. Rapaz - Ela estava lavando a calçada. Eu ouvi ela dizendo assim: ‘não adianta querer me assaltar que aqui é cheio de segurança’. Dentro da casa, o assalto continua. Os ladrões vasculham tudo. Um deles usa uma máscara. A filha do dono, a mesma que já tinha sofrido um sequestro, ouve vozes estranhas, se tranca no quarto e liga para o pai: "Ele entrou em contato com a polícia. Quando tentaram forçar um pouco a porta do meu quarto, me escondi dentro de um armário e fiquei ali esperando". Acompanhando o roubo ao vivo, do escritório, o advogado se desespera: "A sua filha está com assaltantes. Você não sabe qual é o fim e a tua esperança é a polícia", comenta o dono da casa Carlos Ergas. Enquanto isso, a testemunha que viu a empregada da casa sendo abordada diz para a atendente do 190 o nome da rua. Mesmo sem saber o número da residência, passa uma informação importante: "A casa tem uma máquina de lavar com uma mangueira. O número eu não sei. Por volta do numero 430, 400 e pouco". A policial ainda faz uma série de perguntas. A ligação, a que tivemos acesso com exclusividade, dura quase quatro minutos: "Não sei, não estou querendo ir lá para frente". Enquanto a polícia não chega, os bandidos agem com violência, conta a empregada, que não quer ser identificada: "Arma o tempo todo na mão, me xingando e me chutando", lembra. Os criminosos encontram o cofre e, para facilitar o roubo, puxam um tapete do caminho. Na garagem, chegam a tirar um carro da família e estacionam o deles no lugar. O cofre pesava 300 quilos. Tinha jóias e dinheiro da família. Dois dos assaltantes o arrastaram, pegaram um corredor e foram para a garagem. Lá, outros dois ladrões ajudaram a colocar o cofre no porta-malas. A ação da quadrilha não durou mais do que 15 minutos. Os criminosos ainda estão dentro da casa, quando os policiais chegam. Mas os PMs vão para a residência ao lado. Mesmo depois de a testemunha ter informado que a casa assaltada tinha uma máquina de lavar na frente. "Se você vê uma maquina abandonada ali, você vai no vizinho?", questiona o dono da casa Carlos Ergas. "A primeira informação era que o fato teria acontecido no número 430. Depois, quando chegou a informação de que o fato estava realmente ocorrendo no numero 380, os policiais procuraram se deslocar rapidamente pra esta casa, mas o tempo perdido acabou sendo crucial", aponta o porta-voz da Polí¬cia Militar de São Paulo, capitão Emerson Massera. Mesmo com os policiais a poucos metros de distância, os ladrões conseguem fugir, levando o cofre. Houve perseguição pelas ruas de São Paulo, mas nenhum criminoso foi preso. A PM reconhece as falhas de comunicação. "Estamos abrindo uma reunião de análise crítica, tanto para analisar os procedimentos incorretos e corrigir os erros e eventualmente também punir os responsáveis por esses erros", avisa o porta-voz da Polícia Militar de São Paulo, capitão Emerson Massera. O dono da casa assaltada diz que sempre orientou os empregados a não ficar sozinhos na rua, na hora do trabalho. Mas, segundo ele, quem cometeu o principal erro nesse caso foi a polícia: "Eu acredito e continuo tentando acreditar que foi deficiência humana, falta de treinamento, ou de entender as instruções que estavam recebendo, mas é lastimável", lamenta.
Fonte: Site G1/Fantástico
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